domingo, 28 de fevereiro de 2010

assombrações

escondida em baixo das cobertas, ela se perguntava o porque
ouvia sussurros e gritos de desespero
esperava ansiosamente um braço quente, que a envolvesse
mas tudo que sentia era arrepios
sozinha, aguentava todo aquele abandono

foi quando ele apareceu
lindo, como uma ilusão
e quanto mais perto ele chegava da garota
mais ela sentia dor, mais ela sofria

o sorriso dele, o aproximar
tudo fazia mal
foi quando ela percebeu que tudo aquilo
era só um fantasma
um fantasma que sempre esteve lá
mas só aparecia nos momentos de fraqueza, de solidão

ela ficou presa nas cobertas por um bom tempo
até perceber que nenhum braço iria aparecer
e que o frio não iria embora
o fantasma do passado ainda era forte demais
e o presente, não era nenhum super-herói para vencê-lo

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

a chegada

ela bateu na porta
ele, com frio na barriga, se enganava
queria acreditar que era apenas barulho
mesmo tendo hora e dia marcado pra ela chegar.

ajeitou o cabelo, pensou no que diria
não queria ela por perto
mas sabia que sua presença, mais cedo ou mais tarde, seria inevitável

tremeu ao abrir, a maçaneta girou bem devagar
e ela, sem escrúpulos, sem medo, entrou
não foi violenta
mas foi sorrateira, calma e trouxe o que prometia

a casa se escureceu e longe de tudo, ele se rendeu
se entregou àquela presença
quis acaricia-la
quis senti-la
já tinha feito de tudo para simplesmente evitá-la
e agora que não conseguira, quis aproveita-la

olhou pro lado e viu uma mala
ela a carregava, prometendo se alojar por dias, meses, anos
ele não quis, não poderia aceitar tanto tempo assim
pegou a mala e a jogou fora
disse que ela poderia ficar
poderia fazer o que quiser
mas que não suportaria aquilo por muito tempo

ela ficou com raiva
não queria deixar
mas ficou calada, enquanto ele, apenas a sentia
mais nada
só sentia

ao mesmo tempo que contava os minutos pra ela partir
aproveitava as horas ao lado dela
e ao fim de tudo
subiu no ponto mais alto da cidade
e gritou
sabia que outro alguém iria ouvir
sabia
e ouviu

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

ninguém disse

ninguém disse que seria fácil
que simplesmente era só sentir e pronto
você tem que se tornar milhares de pessoas em uma só
e todas elas precisam ser ideais
seu sorriso tem que ser o mais belo
seu olhar o que mais brilha na multidão

ninguém disse que seria fácil
e você a principio se engana
tem que ser o amigo e o amante
o inimigo e o espelho
o que escuta e o que fala

ninguém disse que seria fácil
e muito menos disse que seria só cores
as vezes, a neblina chega
as vezes tudo que se vê, é o cinza

ninguém disse que seria fácil
mas mesmo assim você faz
aquele sorriso
aquele saber
aquela vontade de fazer
tudo isso transforma

ninguém disse que seria fácil
mas por algum motivo, você acha que é
mesmo não sendo.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

teimosia

mãe, eu quero!
não
mãaaae, eu quero! eu quero!
não minha filha
mãe, deixa! por favor!
não dá, não serve em você! sophia, para de ser teimosa.
mas mãaae, é tão bonito, é tão legal, é tudo que eu sempre quis
sophia, as coisas não funcionam de acordo com o que você quer
mãe, eu não te peço mais nada! fica sendo de aniversário, de natal, de tudo!
não dá sophia! não tá vendo que não combina com você?
mãe... por favor
mãe eu preciso disso!
não, minha filha! será que você não entende? pare de ser teimosa! escolhe outro! esse ai não serve em você, não foi feito pra você! é de menino, não tá vendo?
Mas mãe... eu quero.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

culpa

se eu não tivesse ido ao indie naquele dia e
se eu não tivesse empolgado da mesma forma que empolgaram comigo
se eu não tivesse mandado msg no gmail falando que poderia me procurar
se eu não tivesse me identificado tanto
se eu não tivesse aceitado o convite de sair para o teatro
se eu não tivesse me apegado tanto a uma pessoa que eu me identifico muito
se eu não tivesse aceitado a chance de começar uma amizade, de dar oportunidade a uma pesssoa bela por dentro e por fora
se eu não tivesse confundido tudo, misturado os sentimentos
se eu não tivesse ido ao encontro e falado demais daquele com que me identifico e passase parte da noite de alguma forma citando ele com os olhos brilhando
se eu não tivesse sido pega de surpresa

se eu tivesse
se eu tivesse controle dos meus sentimentos
se eu tivesse outros principios
se eu tivesse o poder de não perder a cabeça e de não sentir raiva

se eu fosse
se eu fosse fria
se eu fosse egoista, ou pelo menos alguém que se importa com si mesmo
se eu fosse alguém que não ligasse pra mentiras

se eu
se eu não me importasse com o que os outros sentem
se eu não colocasse a amizade na frente de tudo, inclusive de mim mesma
se eu não quissese proteger ninguem
se eu não soubesse amar

de quem é essa culpa?
foi porque eu disse o sim mais inseguro e falso no telefone?
foi porque eu SOU insegura?

vendo por esse ângulo eu sou a culpada
dei todos esses passos sem imaginar no tamanho deles
gostei de mais de quem não deveria
e isso eu me refiro aos dois

pois me culpem
não interessa mais
ver ou imaginar lágrimas no rosto dos envolvidos
machuca mais do que estas que estão no meu rosto




feito em: 14/02/2010

feita deles

"sou feita de trapos
muitos trapos
mas são eles que me ensinaram
e não é só porque é trapo
que ele tem que ser ruim"


pensei em mil maneiras de começar isso tudo
pensei em como escrever o primeiro post, no que dizer
e até mesmo como explicar o título.

Mas acho que esse trecho de conversa que eu ACABEI de ter, explica bastante!
Chegou a hora de voltar a fazer o que mais gosto
chegou a hora de parar de associar algumas coisas
chegou a hora de voltar a minha real vontade
e essa vontade é a de escrever

Pra quem não sabe...
Sou Tatiana, ou a Tat
a jornalista frustrada, futura historiadora e a pscicóloga em potencial
a amiga
a amante da música
a que se importa

sejam bem vindos
fiquem à vontade para conhecerem meus trapos
e até mesmo a costurar algum novo.