ela bateu na portaele, com frio na barriga, se enganava
queria acreditar que era apenas barulho
mesmo tendo hora e dia marcado pra ela chegar.
ajeitou o cabelo, pensou no que diria
não queria ela por perto
mas sabia que sua presença, mais cedo ou mais tarde, seria inevitável
tremeu ao abrir, a maçaneta girou bem devagar
e ela, sem escrúpulos, sem medo, entrou
não foi violenta
mas foi sorrateira, calma e trouxe o que prometia
a casa se escureceu e longe de tudo, ele se rendeu
se entregou àquela presença
quis acaricia-la
quis senti-la
já tinha feito de tudo para simplesmente evitá-la
e agora que não conseguira, quis aproveita-la
olhou pro lado e viu uma mala
ela a carregava, prometendo se alojar por dias, meses, anos
ele não quis, não poderia aceitar tanto tempo assim
pegou a mala e a jogou fora
disse que ela poderia ficar
poderia fazer o que quiser
mas que não suportaria aquilo por muito tempo
ela ficou com raiva
não queria deixar
mas ficou calada, enquanto ele, apenas a sentia
mais nada
só sentia
ao mesmo tempo que contava os minutos pra ela partir
aproveitava as horas ao lado dela
e ao fim de tudo
subiu no ponto mais alto da cidade
e gritou
sabia que outro alguém iria ouvir
sabia
e ouviu
E quando o medo começar a machucar
ResponderExcluire o mundo sentir-se como túmulos de sujeira,
apenas feche seus olhos até
que você possa imaginar esse lugar, você é nosso espaço secreto também.